Paulo Freire e Marielle: os ventos serão outros

Por Hélio Consolaro, professor, jornalista, escritor e membro da Academia de Letras de Araçatuba.


Quando uma escola põe em seus objetivos a formação da cidadania, trata-se de educar pessoas conscientes de seus direitos e deveres, para saber de que lugar fala para a sociedade. Não se trata de um adestramento, em termos políticos, o educando pode se engajar na direita ou na esquerda.


Estou escrevendo sobre os painéis pintados no muro da E.E. Vítor Trindade, conhecida bem antigamente de "Industrial". O Conselho da Escola resolveu ocupar aquele espaço em branco com uma mensagem. E escolheu o educador expoente do Brasil, Paulo Freire, e a vereadora Marielle, carioca que foi barbaramente assassinada por suas posições políticas.


As duas personalidades já são mortas e defenderam durante suas vidas posições a favor dos mais desfavorecidos em nossa sociedade, comumente rotulados de esquerda no jargão político, um mundo com justiça social.

Neste momento polarizado em que vivemos, bastou isso para que a direita, defensores de princípios conservadores, se rebelassem, exigissem o cancelamento da pintura, postura nada correta para quem defende a democracia.


Seriam mais democráticos se exigissem também a pintura de imagens de líderes que são referência para eles, como Rui Barbosa, Gustavo Capanema, etc. Mas não querem conviver, não querem a inclusão, preferem a exclusão. E se a ultradireita, a ala mais radical da direita, tivesse tido a iniciativa? Como seria a reação da esquerda? Com certeza iria pintar a figura de Bolsonaro, ainda vivo e chamado de genocida. Aí, até eu ficaria contra, porque ninguém pintou o Lula no muro da escola. Ninguém comete crime porque é bolsonarista. Passa a ficar fora da lei quando grita palavras de violência, destila ódio em suas mensagens bem no estilo talibã.

Enquanto houve monarquia no Brasil, Tiradentes ficou no ostracismo porque foi enforcado por determinação da disnastia dos imperadores, bastou haver a Proclamação da República para que se tornasse herói nacional. Assim acontecerá com Marielle, ainda cantaremos o Hino Nacional e hastearemos bandeira para homenageá-la. Os ventos serão outros.

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